domingo, 7 de janeiro de 2018

Conversas

-Hei, Tu!
-Quem, Eu?
-Não, Tu!
- Foi o que perguntei, Eu?
-NÃO! TU!
-Ah, TU!
-SIM! PORRA, estava a ver que não!
- Que foi, afinal?
- Falta-te um botão!
- E tanta coisa para isso? Falta-me um botão?
- Sim! De nada já agora!
- Não tenho nada para te agradecer, uma estupidez dessas!
- Mal agradecido!
- Não, tu é que és mal-criado!
- Como?!??!
- A dizer porra, e palavrões desse género!
- Só uso do venáculo como força de expressão, e de qualquer forma a culpa é tua, tu é que és lento das ideias..
- Lento o tanas!! Vens-me dizer que me falta um botão, quando estou nu!
- Então, mentira não é, falta-te um, é verdade, mas se querias que eu fosse mais preciosista podia ter-te dito que te faltam vários!
- Vai-te fo..
- Quem é mal-criado agora? Além de grosseiro ainda falas para as pessoas enquanto estás todo nú! Que grosseria!
- EU NÃO FALEI PARA NINGUÉM, ESTAVA CALADO, TU É QUE ME INTERROMPESTE!!
-Interrompi? Mas se não falavas para ninguém..
- Interrompeste o meu acto inteligente de estar calado!
- Então cala-te lá à vontade, e continua a passear-te por aí todo nu, em todo o uso da soberba e exibicionismo! Lemnbra-te só disto - falta-te um botão!
- Vai pastar!! Estou nu!!
- Pois estás...
- E dizes que me falta um botão!?
- O que torna tudo ainda mais triste...
- Triste és tu!!
-Não me parece..
-  Tu levas!
- Não é boa ideia..
- Porque não, olho à belenenses!
- Saltava à vista, mas não aconselho..
- Porque não?
- Vais-te magoar...
- Magoo-te a ti!
- E a ti no processo..
- Olha.. que barulho é esse aí nas escadas?
- ...
(ruídos)
- Lá em cima, por favor! Há horas que não pára de discutir com o espelho!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Mulher

Mulher

Perfeita.

Tão perfeita como a imperfeição se quer,

Ser único, autêntico... Única...



Personalidade ternamente implacável,

Libertou em mim,

Em toda a sua fúria graciosa,

Tempestade serena, que És,

Furtiva, presente,

Uma paixão que não se agarra

Mas se sente.



És o Vento.

Sinto-te mas não te posso agarrar.

Acalmas-me e abalas-me,

Combalido, não te consigo antecipar.



Oiço-te, mas não te vejo,

Fecho a mão, mas nada,

Vazio.

Não te posso agarrar.



És o Vento que tudo fustiga.

Que que era, mas já não o é,

Depois de ti...

Sem ti...



E Mar... Vejo-o agora claramente também...

És Mar uno com o Vento...

Transparente mas poderoso.

Poderosa.

Esmagarias gigantes... Com a força desse mar,

Se esse capricho assim te assaltasse a vontade,

Mas não... Vais, e vens, e vais...

E vais...



A maré mudou.



Essa força demolidora que vive em ti é Soberana.

Falou.

Tu és Força, Energia, Vida e Ser.

Jamais conseguiria eu fazer justiça

Tentando conter ou descrever

Em apenas palavras,

Nunca!

Por mais anos que eu o fizesse

Independentemente dos anos

Que pudesse vir a Viver...



E foi essa existência Tua,

Que me esmagou desde o primeiro momento.

Fascínio e espanto,

Esta obsessão doentia,

Apaixonada que não quer largar,

De uma forma estúpida, infantil,

Incoerente, inocente mas despropositada...

Mas Fútil... Inconsequente...

Não encontra mais palavras para se exprimir,

E sobretudo, para se fazer Crer...



Crer no Querer...



E lembro.

Lábios doces de provar...

Amor que desconcentra e desnorteia os sentidos...

Estremece-me e envolve as vísceras em espasmos palpitantes...

Cabelos... Deleitosas cortinas de aromas, sensações e emoções...

Iludem os sentidos...

Perco os sentidos...

Perco o pé...



Mas hoje choro.

Hoje já foi.

Não fui merecedor desta criatura que,

Por mais que tente,

Não acho forma, palavras,

Para descrever e lhe fazer Justiça...



Toda a fúria do que não fui, mas tu foste,

Toda a Culpa daquilo que sinto,

Mas que Sinto que deixei de o provar,

Das provas que tu me deste e do que tu sentes...

E eu não dei...

Esmaga-me o peito...

Estrangula-me a alma

Agoniza-me a existência,

Por cada vez mais, menos merecedor me sentir de ti...

Do teu amor...



Sei que não deixarei eu de te amar...

Com isto vou ter de viver...

Amo-te... E mais não é possível dizer,

Pois por mais que a mulher que eu amo,

Para sempre, para mim

Nunca deixarás de ser...

A Mulher.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Bolas de Sabão

Bolas de sabão são bonitas.

As pessoas são bolas de sabão,
assim como palavras, os actos,
intenções, sentimentos, emoções, ideais..
Tudo são bolas de sabão.

Formas bonitas...
graciosas, pairando... admiráveis, perfeitas...
ou não! Mas lindas certamente...

Rebentam.

Não são nada.
Nada significam,
nada fazem...
nada criam...
nada querem...

Sem préstimo.
Sem futuro.
Algo que já foi,
nada tendo sido.
Algo que se lembra,
sem nada significar.
Algo que se disse,
sem nada ter feito.

Bolas de sabão lindas.
Hipnóticas promessas de nada,
Pairando vão, essas efemeridades inúteis,
condenadas ao esquecimento...

Destinadas a dar um dia lugar às seguintes,
na vã esperança que,
não rebentem essas novas um dia.

Enquanto fascinados,
nos embevecemos pelas suas cores,
efeitos disformes,
aguardando sempre pela próxima,
que será sempre, eventualmente,
a mais linda,
a mais perfeita..
a tal.

Hoje, mais que rebentar,
uma bola de sabão se fez desfazer.

Na sua ignomínia inocentemente estúpida,
orgulhosamente arrogante, presunção de imortalidade,
sacrificou-se e aos que a admiravam.

Nada fica.

Ainda assim, hoje,
bolas de sabão olharão,
inúteis,impotentes, extasiadas,
o fogo que rasgará os céus, apenas por hoje,
numa esperança tonta de que mais sejam,
(ou mais procurem ser!),
que simples e modestas
bolas de sabão.

Sabem-no mas ignoram,
num culto activo da alienação e ignorância,
que nem fogos ou céus por si contemplados,
deambulados, aspirados,
no fim, nada significam.

Assim como nada.

Nada significa nada.
Assim como bolas de sabão.

"A Prinsusa e as Três Fadas" - Tesourinhos Antigos Recuperados

 A professora pede aos alunos que escrevam uma história sobre fadas. A do Carlinhos rezava assim: -"Era uma vez uma prinsusa..." A...