António Manuel Albuquerque, ou Toninho como era chamado, mas para mim sempre foi o meu Tapete.
Teimoso e orgulhoso, mas na verdade uma alma difícil que queria mostrar a sua independência e autonomia, muito senhor de si e superior a todas as criaturas vivas que, para ele, eram uma contínua falta de chá, sendo ele no fim de contas um trapalhão bonacheirão que gostava de mimo, sossego e um guloso oportunista.
Desde que o vi pela primeira vez que o rebaptizei de Tapete. Apenas por olhar para o seu pelo fabuloso. Gatão. Bochechas de gato que nunca mais acabavam e bigodes majestosos.
Pregou-me cagaços. Tive de o ir buscar uma vez à sala de fumos de treino dos Bombeiros de Almada. Veio de lá negro, uma pantera autêntica, cheguei a ficar dias na dúvida se tinha resgatado o gato certo.
Desconfiado e teimoso, tinha de recorrer a subornos para me conseguir aproximar.
Só deixava cair a máscara e me pedia colo, mimo e atenção quando percebia que me ia embora.
Com ar de rufia, amuado e marrento, cabrãozinho fascista, não tinha vergonha nenhuma no seu comportamento notoriamente provocador. Sabia que me tirava do sério e fazia-o na medida certa, analizando-me a raio-x com aqueles olhos gigantes, cada vez que me via.
Não tive oportunidade de estar com ele tanto tempo como gostaria. E é difícil traduzir por palavras a falta que ele me fará.
O meu Tapete. 🙂
